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Na prática a teoria é outra | |||
Trata-se da escolha do modelo que iremos adotar para o cálculo das nossas estruturas, ou seja, se vamos usar métodos simplificados ou métodos baseados em teorias gerais, normalmente mais sofisticados. É preocupante notar a tendência atual de se dar preferência aos métodos de cálculo teóricos mais gerais, justificada, simplesmente, pelo apelo de serem mais realistas, em detrimento dos métodos simplificados, cuja comprovação experimental já foi atestada por milhares de obras projetadas e executadas com a utilização dos mesmos. É o que podemos chamar de vitória da teoria sobre a prática e a experiência. Temos vários exemplos dessa constatação. Um deles é o caso do dimensionamento dos pilares-parede adotado pela NBR 6118, que já foi contestado pelo Prof. Laranjeiras, num excelente trabalho apresentado no ENECE 2006 e publicado no nosso grupo. Lá, ele lembra o princípio que deve valer na engenharia: o conhecimento experimental e prático deve prevalecer sobre o conhecimento teórico. Não é bem isso o que vem acontecendo no nosso meio técnico. Cada vez mais os acadêmicos ganham influência nas revisões das nossas normas e na elaboração de livros de práticas recomendadas, fazendo com que, não só a nova geração de engenheiros estruturais, mas, também, parte dos calculistas mais antigos passem a adotar os métodos teóricos gerais como o novo paradigma na análise das estruturas, mesmo sem a necessária validação dos mesmos através de experimentos e da prática. Esse fato é mais uma vez evidenciado na dissertação de mestrado Projeto e Construção de Lajes Nervuradas de Concreto Armado, do Eng. Marcos A. F. da Silva, da Universidade Federal de São Carlos – SP, recentemente, divulgada no grupo calculista-ba. Um dos objetivos desse trabalho é comparar, através de exemplos, os resultados das análises de lajes nervuradas obtidos pelos seguintes métodos de cálculo: o elástico simplificado utilizado para o cálculo das lajes maciças e o método das grelhas. A conclusão do autor é a seguinte: os métodos elásticos simplificados são inadequados para o cálculo das lajes nervuradas, pois os exemplos numéricos feitos mostram que os métodos simplificados conduzem a momentos fletores cujos valores são da ordem da metade daqueles obtidos através do método das grelhas, considerado mais realista e, portanto, mais preciso. A meu ver, esse é um exemplo bastante claro da inversão de paradigma a que me referi anteriormente, pois há anos que projetamos lajes nervuradas usando o mesmo método elástico simplificado utilizado para o cálculo das lajes maciças (Marcus ou Czerny). O bom desempenho em serviço das inúmeras lajes nervuradas assim projetadas para finalidades diversas, como garagens, shopping centers, edifícios residenciais e comerciais, torna esse método uma referência para o cálculo de lajes nervuradas. A comissão de elaboração da NBR 6118/2003 reconheceu esse fato ao estender para as lajes nervuradas, que atendam as prescrições geométricas do item 13.2.4.2, o método de cálculo das lajes maciças, uma vez que lajes nervuradas com aquela geometria já vinham sendo utilizadas na prática pelos projetistas de estruturas com muito sucesso, já havia alguns anos. Observações:
Concluo com uma citação de Sir Winston Churchill: “Por mais bonita que seja a estratégia, de vez em quando é bom dar uma olhada nos resultados”. | |||
colocada por giordano em 05/02/2008 |
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, Feb 11 2008, 4:56 PM EST
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