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Juntas de dilatação - Comportamento em serviço (ELS)


por Antonio Carlos Laranjeiras
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antolara.2008.02.08 - Wiki do Calculistas-BAA
crescento à nota técnica publicada pelo colega Giordado Loureiro, os comentários que se seguem, por considerar que a avaliação dos efeitos da
retração e variação de temperatura nas estruturas de concreto está a merecer, de fato, uma extensa discussão.


Esses efeitos, a meu ver, devem ser tratados diferenciadamente, quando se
trata de avaliar comportamento em serviço (ELS) e quando se refere à avaliação
da segurança à ruptura (ELU).

Nos ELS, esses efeitos são importantes nas seguintes situações:

a) avaliação dos deslocamentos da estrutura nas juntas, ou seja, na avaliação
do movimento das juntas, para efeito do dimensionamento dos selantes.

Nessa avaliação, há interesse em determinar os valores de aberturas das juntas
em duas situações limites:

* aumento de temperatura, sem retração;
** diminuição de temperatura + valor final de retração;

Na determinação das variações máximas e mínimas de temperatura, é recomendável
uma avaliação a partir da temperatura média local, obtendo-se a viariação por
diferença entre esta e as temperaturas locais máxima e mínima. Esse procedimento
afasta-se do indicado no item 11.4.2.1 da NBR 6118, por ser este inadequado ao
caso, pois conduz a valores menores do que os reais.

Na determinação da retração final, utilizar os valores da Tabela 8.1 ou da Tabela
A.1 da NBR 6118, evitando o valor de 0,15 mm/m do item 11.3.3.1 da mesma NBR,
por ser, geralmente, valor inferior aos reais.

A título de esclarecimento, os baixos valores para variação de temperatura e
retração sugeridos pela NBR 6118 nos itens citados, presupõem a finalidade de
avaliação de esforços e não de deslocamentos. Realmente, a energia acumulada
nas peças sob deformações impostas que evoluem lentamente, é menor que a
energia (trabalho de deformação) sob deformações instantaneamente aplicadas,
donde justificam-se os valores mais baixos sugeridos na Norma. Mas como o
caso em questão não é avaliação de esforços, mas sim de deslocamentos limites,
não cabem essas sugestões normativas.

Os deslocamentos da estrutura nas juntas serão então determinados por análise
elástica, em seções não fissuradas, como indicado pelo Giordano, aplicadas as
ações da temperatura e retração apenas nas vigas e lajes de piso. Os valores de
deslocamentos obtidos devem ser ainda multiplicados por coeficiente de majoração
de 1,2. A nossa NBR é omissa nesse problema.

b) avaliação dos deslocamentos da estrutura sobre (eventuais) aparelhos de
apoio (móveis), para efeito do dimensionamento dos mesmos;

Prevalecem válidas todas as considerações postas acima para o caso (a);

c) avaliação das deformações progressivas das peças fletidas;

A retração, ao aumentar progressivamente o encurtamento da região comprimida
de vigas e lajes, aumenta as rotações das seções, por consegüinte as curvaturas
e, conseqüentemente, as rotações sobre os apoios e as flechas. A presença de
armadura na zona comprimida reduz esse efeito desfavorável da retração.

A nossa NBR trata indiretamente esse efeito, no item 17.3.2.1.2, ao incluir a taxa de
armadura de compressão como parâmetro na avaliação das flechas progressivas.

d) avaliação das perdas progressivas de força de protensão;

A influência da retração nas perdas de força de protensão é tratada especificamente
na subseção 9.6.3.4 da NBR 6118;

e) controle de fissuração pelas restrições impostas a esses efeitos;

O controle da fissuração gerada pelas restrições aos encurtamentos naturais devidos
à retração e diminuição de temperatura parte entre nós (e nas Normas européias)
da premissa de que essa fissuração é inevitável, pois não pode ser eficazmente
contida com simples correções de traço de concreto e procedimentos de cura.
Assim sendo, o controle da fissuração se dará ou pela aplicação adequada de
protensão, ou, na ausência desta, pelo emprego de armação adequada em taxa,
diâmetro e espaçamento, disposta próxima à superfície das peças.

A função dessa armação é a de reconduzir a força na seção fissurada ao concreto,
por aderência, de modo a reduzir a distãncia entre as fissuras e portanto suas
aberturas. É intuitivo que essa distãncia tem um valor mínimo irredutível, pois não
há como, por aderência, fazer outra seção fissurar imediatamente próxima à já fissurada.
Portanto, para um certo diâmetro de barra, há uma taxa de armação acima da qual
o controle não pode ser melhorado, pois a distãncia entre fissuras não se reduz mais.

Mas o fato relevante desse controle é que, se a fissuração é inevitável, não há
necessidade de se calcular esforços solicitante devidos à retração ou temperatura,
mas apenas a de examinar como as barras nervuradas transferem de volta ao concreto a força de tração capaz de fazer a seção fissurar. Por isso, a expressão do item 17.3.5.2.2 que trata desse assunto não inclui esforços solicitantes devidos às restrições. Não há pois por que se discutir quais os valores de retração ou de variação de temperatura a adotar.

A armadura de retração para controle de fissuração em serviço não se soma à armação
para resistir a ELU, pois são situações distintas, não concomitantes.


Continuarei com ELU em outra nota.

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colocada por Antonio C. R. Laranjeiras, Salvador, 8/02/2008
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