Ponto de Vista 12-06-2007This is a featured page

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Engenharia: é preciso adotar uma posição

por Egydio Hervé Neto

Venho me manifestando de maneira pontual sobre alguns assuntos, tratando-os como notícias que me mobilizam caso a caso. No entanto, para aqueles que têm tido a paciência de lê-los, já devem ter percebido que tudo o que eu falo e escrevo está dentro de um contexto que eu gostaria de formatar neste texto, que divulgarei por todos os meios que a INTERNET me permitir.
Tenho o objetivo de torná-lo produtivo, pois desejo que minhas idéias e visões sejam úteis para toda a Engenharia e os profissionais da área.

A assertiva que inicia esta apresentação é a respeito de uma conclusão, que necessariamente deve ser tomada por todos aqueles que desejam ver respeitadas a Engenharia e seus profissionais. Concluí que não basta ver os erros que são cometidos todos os dias contra nós, em prejuízo da sociedade mas, é preciso combatê-los de uma forma mais efetiva. Já fui acusado de ficar falando, escrevendo e de não fazer nada, então, a segunda coisa a dizer é: Estou sim, fazendo muito, dentro do que é possível fazer, conforme enumero:
  1. Esforço-me para não participar de nada que represente falta de ética, corrupção e ilegalidade, e, quando não consigo, é por não ser fácil ver onde está a ilegalidade ou o erro no cotidiano, tal é o emaranhado de situações em que a malandragem nos coloca, perseguindo-nos em todas as horas, procurando corromper-nos, para conquistar adeptos.
  2. Além da Lei e acima dela, tenho um código de regras morais a me guiar que percebo que superam as regras comuns do Brasil e me guio por essas regras, como disse, acima das Leis, que nada mais são do que o plasma momentâneo das idéias da sociedade e representam o que "é possível" mas certamente estão ainda muito longe de contemplar "o que é certo" embora estejamos sempre evoluindo.
  3. Acredito que não basta conhecer procedimentos corretos, pois eles não aparecem do nada, mas é preciso entender que a educação, a experiência e os duros erros cometidos em uma vida, balizados pela auto-crítica, fazem efeito no sentido de nosso constante aperfeiçoamento, desde que nos dispomos a "escutar nossa consciência" e repelir aquilo que está errado, erros que enfrentamos e que cometemos a cada passo mas que, entronizadas e pensados, nos fortalecem a cada dia, quando os rejeitamos.
  4. Por mais pretensioso que isto pareça acredito que falar e mostrar minha visão dos fatos é uma forma de colocá-las a dispor da sociedade e dos meus colegas, para apoio ou rejeição, na certeza de que a contribuição que dou é positiva e ganha adeptos que fortalecem a maneira certa de fazer as coisas da Engenharia.
  5. Coloco minhas opiniões e faço críticas francas, muitas delas construtivas, mas muitas que destroem os "castelos de carta" daqueles que pretendem a impunidade e demonstram o menosprezo por nossa inteligência, prejudicando voluntariamente a imensos contingentes sociais e profissionais em busca de vantagens pessoais em detrimento dos seres humanos e da sua bondade ou despreparo, o que para mim é uma clara covardia que devemos combater.

Posto isto, venho participando de alguns movimentos de uma forma que parece dispersa mas que tem uma proposta maior que vou tentar esclarecer aqui, visando atrair apoio para formarmos uma "frente" de idéias e possivelmente de ações a serem implantadas em curto espaço de tempo, o que é fundamental:


1. "O Momento Atual da Engenharia Brasileira"
Este movimento, que foi assim denominado e vem se desenvolvendo a partir da reunião dentro do Instituto de Engenharia, de pelo menos 26 Entidades da Engenharia e afins, merece meu respeito e venho me apoiando nele para colocar minhas idéias mais amplas, aquelas que envolvem a profissão de forma impessoal. Entendo que a cada dia se verificam ações que denigrem e mutilam a imagem da Engenharia, com denúncias claras que estão acima e portanto muito mais fundamentadas do que o meu alcance pessoal, portanto as considero críveis. Essas ocorrências são apresentadas como notícias mas é preciso fazer um trabalho efetivo de "cruzamento" entre elas para que uma verdade maior do que cada fato isolado se torne clara, demonstrando que não são pequenos erros ou atitudes mas todo um arcabouço estruturado de foco prejudicial à nossa classe e à sociedade para a qual existimos, e portanto fundamente prejudicial ao Brasil e aos brasileiros. Exemplos não faltam, basta unir os fatos: "por que ninguém foi punido no caso do Edifício Palace II?"; "por que não se fala mais no Areia Branca, edifício que ruiu, com 26 anos de idade apenas, em Recife há dois anos?", "por que o METRÔ caiu e onde estão as informações sobre o fato?"; "por que não conseguimos impedir que exista uma Lei que instiga o preço mínimo aviltante para obras públicas, impedindo o trabalho dos mais competentes e nivelando por baixo experientes e inexperientes?"; "por que operações navalha continuam demonstrando nossa impotência contra a forma de agir de pessoas corruptas e mal-intencionadas que, infiltradas nas repartições públicas, denigrem a imagem da Engenharia e dos profissionais, fazendo a sociedade acreditar que somos parte dessa bandalheira?"; "por que é permitida pelo governo, através do MEC a distribuição indiscriminada de diplomas de Engenharia e afins a profissionais absolutamente despreparados, que depois se espalham no país a serviço de uma pretensa engenharia de letra minúscula, mas confundida com a nossa Engenharia?";
"por que pagamos taxas e compramos documentos em Entidades que nada fazem para zelar pela boa Engenharia - como o atual Sistema CONFEA-CREAs -, ao contrário, impedindo-nos de exercê-la - como é o caso da ABNT, que nos vende Normas a preços que não podemos pagar -, e órgãos públicos - como em Concursos que geram tremendas arrecadações para meia-dúzia de vagas que acenam com a possibilidade de ganhar salários ridículos, engrossando a multidão de miseráveis e corruptos - pode escolher - que ocupam cargos públicos nos escalões inferiores?".


2. "Campanha de valorização da Engenharia e profissões afins"
Defendo que nossas Associações de Engenheiros unam-se sob uma liderança escolhida espontaneamente entre elas e assumam a defesa da Engenharia e seus Profissionais, sem a presença do Sistema CONFEA-CREAs - o qual deixa claro que este não é o seu papel - e faça uma Campanha publicitária, em toda a mídia existente no Brasil, mostrando à sociedade o que é Engenharia, o que ela faz - inclusive mostrando a ação de maus elementos que denigrem e distorcem esta papel, enganando o povo - e porque deve ser remunerada dignamente em seus serviços como forma de desestimular a roubalheira e os maus usos e costumes popularmente acatados e praticados graças à ignorância da sociedade. Como recursos para esta Campanha proponho que o Sistema CONFEA-CREAs repasse uma parcela maior às Associações - abrindo mão do luxo e do supérfluo que está sendo gasto em reuniões de interesses próprios de meia-dúzia de "dirigentes" da Entidade espalhados pelo país - e inicie uma era de austeridade e eficácia, usando seus recursos restantes no combate efetivo aos conhecidos "canetinhas" de cada região, entre os quais, muitas vezes e fartamente denunciados, seus próprios componentes de cargos importantes nas Inspetorias locais.

3. "Diga não!"
Parece simples e deveria ser. Defendo que se diga não a todas as propostas indecentes que ouvimos quotidianamente, algumas fruto da desonestidade, mas muitas conseqüentes da ignorância e dos usos e costumes que se instalaram na sociedade leiga, em prejuízo da Engenharia. Que os profissionais não tenham vergonha de estarem sozinhos nesta decisão - e compreendam que realmente estão pois a profissão é difícil, para poucos, e a sociedade precisa ser educada e instruída em Campanha, para compreendê-la - conseguindo manter sua palavra e repudiar a tentação e a ameaça que lhe vem em seguida. Não acreditar no dito tem quem faça e manter sua posição, mesmo vendo florescerem escritórios e profissionais de engenharia de menor calibre, para que o tempo - que pode nem ser o nosso - de verdadeiro respeito, realmente se instale na sociedade e na profissão.
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Egydio Engenharia: é preciso adotar uma posição 0 Jun 11 2007, 9:37 PM EDT by Egydio
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A cada comentário de colegas sobre maus tratos e incompreensão com a prática da Engenharia meu coração se aperta e eu me sinto compelido a manifestar-me; a cada agressão feita aos princípios básicos de nossa profissão, sinto-me diminuido e a vontade é explicar, esclarecer, criticar; a cada colega que diz "deixa assim", "não há nada a fazer", "e daí, vais mudar o mundo?", "as pessoas não aceitam assim", não pensam assim", sinto meu sangue ferver! E isto me levou a escrever de forma espontânea e, como eu disse, pontual. Mas o tempo e o acervo formado me disse que havia coerência e que esta coerência precisa superar as pequenas intervenções e tornar-se em uma ação estruturad, envolvendo não apenas informar, mas chamar os demais a se manifestar, procurando mostrar qyue os que pensam como eu existem e são maioria. OU alguém pensa que um ou dois milhões na "parada Gay" da paulista significa maioria? Atentem para este exemplo: eles apenas "sabem agitar"! E a imprensa vai atrás, dando-lhes força e cobertura. Assim os corruptos e os maus profissionais. São minoria gritante. Vamos mostrar nossa opiniões e demonstrar que nós, os honestos e bons profissionais, somos maioria. E vamos exigir respeito, expulsando a malandragem da nossa profissão. É isto que eu quero que aconteça!
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