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Marcos Carnaúba, engenheiro-civil consultor, marcarnauba@gmail.com, Maceió, AL
Resumo:ANBR 6118:2003 contempla mudanças substanciais seconfrontada com a versão de 1978/80,enfatizando a vida útil das estruturas assunto novo no Brasil ainda sob o desconhecimento de muitos. Esse trabalho foi enviado àABECE, em tempo hábil,para ser apreciadodurantea elaboraçãoda revisão proposta para 2008 evisa interpretar o que consta do texto oficialsugerindo mudanças e complementos que julgamos necessários.
nos itens 6.1, 6.2 e 6.3 6.1 Exigências de durabilidade
As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto (...) estabilidade e aptidão em serviço durante o prazo definido de sua vida útil.
6.2 Vida útil do projeto
6.2.1 Por vida útil do projeto, entende-se o período de tempo em que se mantêm as características das estruturas – sem intervenções significativas - atendidos os requisitos de uso e manutenção prescritos pelo projetista e pelo construtor (7.8 e 25.4), bem como a execução dos reparos decorrentes de danos acidentais.
6.2.2 O conceito de vida útil aplica-se à estrutura como um todo (...) partes podem merecer consideração especial com vida útil diferente do todo - aparelhos de apoio e juntas de movimento como exemplos.
6.2.3 A durabilidade requer cooperação e (...) processos de projeto, construção e utilização, devendo como mínimo ser seguido o que consta da NBR 12655, Preparo, Controle e Recebimento do Concreto, sendo também obedecidas às disposições de 25.4 (...).
6.3 Mecanismos de envelhecimento e deterioração
(...)
6.3.2 Mecanismos preponderantes de deterioração relativos ao concretoa) lixiviação: por ação de águas puras, carbônicas agressivas, ácidas e outras que dissolvem (...) pasta de cimento;Prevenção: identificar a presença dessas águas, fazer ensaios para confirmar suas características e definir o tratamento adequado desde o projeto; - restringir a fissuração impedindo a infiltração de águas e proteger as superfícies expostas com produtos específicos – hidrófugos – a serem aplicados após a cura do concreto, preferencialmente 60/90 dias após a concretagem.
b) expansão sob a ação de águas ou solos contendo sulfatos (...) pasta de comento hidratado;Prevenção: usar cimentos resistentes aos meios agressivos (efluentes de esgotos, águas servidas e industriais, água do mar e em alguns tipos de solos), análises físico-químicas de águas a serem utilizadas no concreto; análises petrográficas de solos nos ambientes das peças estruturais.c) expansão sob a ação de reações entre os álcalis do cimento e alguns agregados;
Prevenção: análise petrográfica de areia e brita a serem utilizadas;d) reações deletérias superficiais de certos agregados (...) na sua constituição mineralógica;6.3.3 Mecanismos preponderantes de deterioração relativos à Armadura
Prevenção: análise petrográfica de areia e brita a serem utilizadas e mapeamento de jazidas com vistas a sua inclusão, ou não, como fontes de agregados- NBR7212, Execução de Concreto Dosado em Central.a)-despassivação por carbonatação – ação do gás carbônico presente na atmosfera; - prevenção: definir aditivos e adições ao concreto, a serem especificados por Engenheiro Tecnologista em Concreto, próprios para prevenir a carbonatação; observar os preceitos normativos no que tange ao cimento, concreto - preparo e aplicação - e cobrimentos;b)-despassivação sob elevado teor de íon cloro – cloreto; -prevenção: definir aditivos e adições ao concreto, a serem especificados por Engenheiro Tecnologista em Concreto, observar os preceitos normativos do item anterior e proteger as peças estruturais onde necessário.6.3.4 Mecanismos de deterioração da estrutura propriamente dita
São todos aqueles relacionados com às ações mecânicas, movimentações de origem térmica, impactos, ações cíclicas, ações excepcionais, retração, fluência e relaxação.
- Ações mecânicas podem danificar pavimentos por desgaste – tráfego de veículos, de máquinas, pouso e decolagem de aeronaves – ou por destruição localizada – choques de veículos com pilares de viadutos, de navios com pilares de pontes, a queda de uma peça sobre o pavimento, como exemplos. Em pilares sob riscos dessas ações devem-se prever barreiras protetoras.
- Variações de temperatura geram diversas patologias nas estruturas e devem ser previstos ações e dispositivos para reduzir os seus efeitos – cura coerente, juntas e isolamentos térmicos em áreas específicas são alguns deles.
- Impactos podem ser decorrentes do choque de veículos, máquinas pesadas, ou da movimentação de veículos sobre as estruturas – pontes, viadutos e vigas de pontes rolantes, por exemplo.
- Ações cíclicas com efeitos dinâmicos geram modificações internas no concreto decorrentes da oscilação de tensões. Pontes, viadutos e vigas de pontes rolantes estão submetidos a efeitos deletérios que os tornam mais deformáveis e sujeitos à ruptura por fadiga.
- Ações excepcionais – efeitos dinâmicos de vento atípico – ciclones - e sismos podem danificar as estruturas em áreas de riscos; - efeitos da ação do fogo e de explosões envolvendo o todo, ou partes das estruturas.
- Retração – deformação volumétrica que independe do carregamento – gera efeitos deletérios nas estruturas de concreto por fissuração decorrente das restrições impostas à redução de volume da peça. Para minimizar esses efeitos nocivos impõe-se cura coerente, a inserção de armaduras complementares em casos específicos, e juntas onde necessárias.
- Fluência é a deformação volumétrica do concreto ao longo do tempo - sob ação permanente de cargas - mais rápida no início, mais lenta e sob tendência assintótica com o tempo, atingindo-se a deformação final alguns anos após a concretagem. Para minimizar os seus efeitos impõe-se a determinação de contra-flecha, armadura de compressão e rigidez coerentes, além de condicionar a retirada de escoramentos ao valor do módulo de elasticidade de projeto.
- Relaxação é o alívio – ao longo do tempo - de tensão do aço mantido estirado sob protensão. Seus valores são fixados nas especificações dos aços a serem empregados – NBR 7482 e NBR 7483.
no item 25.4 25.4 Manual de utilização, inspeção e manutenção.
Considerando a agressividade do meio e de posse das informações dos projetos, dos materiais e produtos utilizados, e da execução da obra, deve ser produzido por profissional habilitado – contratado pelo contratante – um manual de utilização, inspeção e manutenção. Esse manual deve especificar de forma clara e sucinta os requisitos básicos para a utilização e manutenção preventiva, necessárias para garantir a vida útil prevista para a estrutura conforme a NBR5674:1999, Manutenção de Edificações.
- O emprego de Cimento Portland Pozolânico (CP IV), com percentual de pozolana superior a 25%, com relação água/cimento inferior a 0,45 e resistência característica à compressão superior a 35MPa;
- O emprego de Cimento Portland Composto com adição de filler (CP II F), com adição de sílica ativa em substituição ao cimento de no mínimo 8%, utilizando uma relação água/cimento inferior a 0,50 e resistência característica à compressão superior a 45 MPa;
- O emprego de Cimento Portland Composto com adição de filler (CP II F), com adição de metacaulim em substituição ao cimento de no mínimo 10%, utilizando uma relação água/cimento inferior a 0,50 e resistência característica à compressão superior a 45 MPa;
"Decairá do direito assegurado nesse artigo o dono da obra que não propuser a ação contra o empreiteiro, nos 180 (cento e oitenta) dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito" (art. 618, paragrafo único).
"Entende-se que empreiteiro, na acepção da lei, são todos os profissionais, engenheiros e arquitetos, pessoas naturais ou jurídicas, que surjam como responsáveis técnicos, porque estes têm o poder de deliberação tanto quanto ao material quanto à solidez do prédio".
"Os prazos – definidos no CC - são para reclamação de defeitos. São prazos para exercício de direito de ação de indenização ou outra equivalente, porquanto o direito não socorre aos que dormem. São prazos, enfim, de garantia, o que não significa necessariamente vida útil do imóvel"– Alex Sandro Ribeiro, advogado parecerista, escritor, Membro do IV Tribunal de Ética da OAB/SP, Pós-Graduado em Direito Civil pelo uniFMU, consultado via Jus Navegandi.
Síntese do EUROCODE
Categoria Vida Útil Exemplos 1 10 anos Estruturas provisórias 2 25 anos Elementos estruturais substituíveis, por exemplo, aparelhos de apoio. 3 25 anos Estruturas agrícolas e similares. 4 50 anos Estruturas de edifícios e demais estruturas correntes. 5 100 anos Estruturas monumentais de edifícios, pontes e outras obras de engenharia civil.
1 Nome e caracterização do construtor – empresa ou profissional.
2 Data da entrega (Habite-se, inauguração etc).
3 Vida útil de utilização projetada.
4 Consulte o manual de utilização.
Pondera-se!
Não é isso o que consta de todos os produtos industrializados e manufaturados que o cidadão adquire?
Não é a construção civil uma indústria?
Não são os engenheiros os construtores da grande nação Brasil?
| Observação final: Este trabalho, de minha autoria, recebeu algumas sugestões dos seguintes Mestres: Antônio Carlos Reis Laranjeiras-BA, Benjamim Ernani Diaz-RJ, Carlos Freire Machado-RJ, Egydio Hervé Neto-RS. Foi lido também pelos Mestres Bruno Contarini-RJ, Lauro Modesto –SP, e Odilon Cavalheiro-RS. Declaro que não houve nenhuma contestação, mas sim o incentivo para divulgá-lo na busca do apoio de colegas que visam preservar a seriedade da engenharia brasileira. |
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