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A Cura do Concreto |
por Egydio Hervé NetoA "cura" é muito mais do que um procedimento ligado à água no concreto, embora ela seja o fator mais importante neste momento, por uma série de razões bastante conhecidas: trabalhabilidade, reação com o cimento, retração por evaporação, etc. A cura envolve cuidados com isto que citei mas também é um período de resguardo e controle desta transição do concreto do estado líquido para semi-sólido e depois sólido estrutural. Neste período todo cuidado é pouco para garantir que o endurecimento se processará sem choques e sem perdas de componentes, especialmente a água. Então, a primeira regra: não se pode perder água! Qual o mecanismo em que se processa o endurecimento e qual o papel da água no concreto? Sem entrar em detalhamento químico, diria que a água tem duas funções básicas na origem dos concretos: 1. A água é um dos dois componentes da "cola" constituída pelo cimento Portland, um pó obtido pela moagem de clinquer - por sua vez uma mistura de argila e calcário moído, cozida a 1200 °C em forno giratório que a transforma em pelotas - e água. 2. A água é o "veículo" para facilitar a mistura dos componentes secos - cimento e agregados - entre si, garantindo, pelo estado líquido mais ou menos plástico, a homogeneidade da mistura e o contato íntimo entre os componentes. A perda da água na mistura, durante o seu processamento e aplicação e endurecimento é portanto, indesejável pois acarreta três fenômenos prejudiciais à estrutura que se deseja obter: 1. A perda de trabalhabilidade necessária à aplicação e acabamento, 2. A fissuração e maior porosidade da superfície do concreto com a saída da água por evaporação e 3. A falta de água para as reações químicas de endurecimento. O primeiro e o segundo fenômenos, se fazem sentir imediatamente, ainda durante a fase de mistura e acabamento, e o terceiro decorre da falta de cuidados neste primeiro momento, nas primeiras horas da "vida" do concreto que constituirá a estrutura. Portanto grande parte do trabalho inicial da cura é evitar, se possível totalmente, a perda de qualquer parcela da água de amassamento e reação do cimento. Ao contrário do que se possa pensar, o advento de aditivos que substituem a água no seu papel de garantir plasticidade à massa - diga-se de passagem uma evolução fantástica e desejável que proporciona a existência dos Concretos de Alto Desempenho - não torna desnecessária a cura. Ao contrário, existindo na massa água em quantidade mínima, restrita às necessidades da reação com o cimento a perda de qualquer quantidade por evaporação é ainda mais prejudicial pois afeta diretamente o endurecimento - que não se completará por falta desse componente no "par" reativo água+cimento - além de manter-se o risco de retração e fissuração. E como evitar a perda da água no concreto? Até o espalhamento, especialmente quando se recebe o concreto em caminhões betoneira, a evaporação não chega a ser significativa, a menos que o tempo de mistura, transporte e aplicação sejam muito grandes (limite prático: 2 horas em condições "normais"; determina-se isto realizando-se o teste de slump de 15 em 15 minutos, verificando a perda da trabalhabilidade "ao vivo"). Portanto o problema 1. Imediatamente após o nivelamento e acabamento - com o concreto ainda "mole", tomando os devidos cuidados - aplicar uma película de "cura química" (procurem sob este nome na INTERNET e usem produtos de qualidade) que forma um "filme" impermeável, por aspersão sobre a superfície do concreto; 2. Tão logo o concreto aceite "pisar sem marcar" espalhar tecido (manta de cura ou aniagem) molhado sobre a superfície exposta, mantendo molhado por pelo menos 7 dias (nunca deixar secar - o cimento reage todo o tempo, basta ter água). Mas a "cura" tem uma outra etapa importante: a instalação das cargas e demais ações que introduzem esforços na estrutura. A normalização brasileira atual (Precisamos conhecer! Precisamos usar!) informa que deve-se prever no Aqui cabe uma reflexão pouco percebida: a concepção que se quer é para médio e longo prazo pois o que se deseja é DURABILIDADE, ou seja, vida útil muito grande, se possível de mais de 50 anos! Isto vai além de um "prazo de garantia" de 5 anos, como está sendo previsto nas Normas de Desempenho em elaboração. Isto vai além de um "prazo de responsabilidade" de 20 anos como a Lei prevê para reparos. Problemas nesta fase inicial da vida útil ocorrem por negligência grosseira, visível e detectável no início da vida das obras. Portanto, a atenção deve começar muito antes, com um bom Projeto, Execução e Controle, que garantirão a inexistência de erros banais e longa vida útil, baixa manutenção e conforto no funcionamento para o usuário, o verdadeiro "cliente" de todo o sistema. Voltando à construção, não tem sentido, por exemplo, tirar as formas de pilares e laterais de vigas em 24 horas ou pouco mais, a menos que se aplique a cura aqui recomendada às superfícies expostas e desde que aprovada pelo calculista com relação a esforços. Não tem defesa técnica retirar escoramentos - mesmo reescorando imediatamente - se isto não fizer parte de instruções de Projeto e não estiver respaldado em criterioso controle de resultados (resistência e módulo de elasticidade) do concreto em acordo com a NBR 12655 (o resultado da concreteira não vale!). |
| colocada por egydio em 3/04/2007 |
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, Apr 3 2007, 10:43 PM EDT
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