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Marquises: dificuldades construtivas e patologias | ||
por Egydio Hervé Neto
Mais um acidente com queda de marquise. As marquises são estruturas muito práticas e fazem parte da arquitetura e do "funcionamento" dos prédios das regiões onde há grande circulação de pessoas, regiões centrais, orla marítima em regiões densamente urbanizadas. As marquises fazem parte das necessidades urbanas nesses locais fornecendo sombra, abrigo da chuva, e são portanto muito freqüentadas em sua área inferior. Do ponto de vista estrutural as marquises são extremamente frágeis por estarem sujeitas a dificuldades construtivas e também por serem facilmente atingidas por patologias, como as que descrevo a seguir: Construção: a armadura das marquises é negativa, fica posicionada na parte superior da laje que a constitui e o que a mantém na posição é o efeito "mão francesa" resultante da tração na armadura e compressão na seção de concreto que se situa abaixo, onde a armadura praticamente inexiste e não tem qualquer função; o posicionamento correto dessa armadura é assim fundamental para o perfeito funcionamento da marquise; o que costuma acontecer, quando não há uma equipe preparada e com boa e rigorosa fiscalização, é que estas armaduras são "pisoteadas" durante a concretagem e saem da sua posição superior e, achatadas -ainda que apenas algumas barras -deixam de funcionar adequadamente; é muito difícil identificar o mau posicionamento das armaduras em uma marquise, geralmente muito bem revestidas em sua parte visível, a inferior, onde fica a sua face exposta ao público, portanto mais bem "acabada"; Funcionamento: a marquise é uma platibanda, ou seja, uma projeção plana de porte respeitável, com espessuras variáveis mas geralmente maiores do que 10 cm, com projeção variável entre 1,3 a até 3 metros para fora da fachada vertical do prédio; esta platibanda é geralmente ocupada em sua parte superior por pequenas estruturas, placas e luminosos, sem função estrutural, que podem às vezes chegar a grandes proporções, contribuindo como cargas lineares de borda; isto faz com que a parte superior das marquises seja de difícil acesso em alguns casos, pela presença de instalações elétricas e assim, podem se acumular sujeira e umidade, difíceis de eliminar por limpeza; esta umidade pode ser um facilitador da agressividade atmosférica, especialmente em ambiente marinho ou com gases de combustão, monóxido e outras situações favoráveis à corrosão das armaduras; Patologia executiva: uma situação clássica que ocorre com as marquises, mesmo quando a armadura está bem posicionada e que pode levar a acidentes, é a metodologia de desforma; ao serem executadas as marquises são escoradas normalmente, em toda a sua área inferior; na retirada deste escoramento a seqüência deve ser da borda livre para o apoio, caracterizando assim a transferência do momento fletor na sua estrutura na direção em que ela vai gradualmente fletindo, na medida em que o seu "balanço" vai sendo liberado; entretanto, a tendência dos operários e dos leigos em geral é "apoiar a ponta" do balanço, região que eles consideram, pela maior deformação natural ao fim da retirada das formas, "mais perigosa"; este procedimento leva à inversão dos momentos - seja pelo peso próprio ou já com a presença de outras cargas, e assim a marquise pode sofrer fissuras em sua parte inferior; além disso, a prática de "reescorar a ponta", quando não executada corretamente, pode - e isto acontece seguidamente - gerar um "carregamento" invertido de baixo para cima, no aperto das escoras, especialmente quando isto é feito com varas de eucalipto e cunhas de madeira, como era comum até poucos anos atrás e ainda muito praticado; dessa situação ocorre a fissuração na face de contato da marquise com a fachada do prédio (com a viga que a sustenta); esta é a pior e mais insidiosa situação: a umidade se infiltra e corrói a armadura do engastamento e a marquise cai sem aviso, por exemplo, em uma pequena vibração... Faço esta descrição buscando a ajuda e críticas dos colegas Engenheiros Calculistas, como um alerta para as nossas novas gerações de profissionais que está participando do mercado, que usa computadores, para que saibam da importância de acompanharem na obra como as suas marquises são executadas. | ||
| colocada por Egydio em 17/03/2007 |
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, Mar 17 2007, 1:11 PM EDT
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acidentes em estruturas
colapso
concreto armado
marquises
patologia
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| nme94 | Marquises e a redistribuição de esforços | 0 | Mar 18 2007, 9:09 AM EDT by nme94 | ||
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Thread started: Mar 18 2007, 9:09 AM EDT
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A fragilidade das marquises vem também do fato que, em se tratando (em geral) de estruturas isostáticas, não se permite nenhuma redistribuição de esforços. A rotura do engaste provoca a ruína.
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